quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Imagine uma garrafa cheia de lama e água sob contínua agitação. O que você consegue enxergar através dela? Uma lama opaca e turva. É assim que a mente humana funciona a maior parte do tempo, processando muitos pensamentos e informações. Nossa mente apresenta-se continuamente enevoada, embaçada. Se interrompermos a agitação da garrafa por alguns minutos, a lama se depositará no fundo, e a água se tornará límpida e transparente.

Isto pode ser conseguido por meio da meditação.

Com ela podemos “desligar” momentaneamente o fluxo de nossos pensamentos, mantendo a atenção em um objeto escolhido.

A palavra meditação vem do latim, meditare, que significa voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si.

A meditação costuma ser definida das seguintes maneiras:

. um estado que é vivenciado quando a mente se torna vazia e sem pensamentos;

. prática de focar a mente em um único objeto


É fácil se observar que nossas mentes encontram-se continuamente pensando no passado (memórias) e no futuro (expectativas).

Com a devida atenção é possível diminuir a velocidade dos pensamentos, e observar um silênciomental em que o momento presente é vivenciado.

Com ela podemos separar os pensamentos da parte de nossa consciência que realiza a percepção.

Estresse agudo ou crônico é a condição onde estamos vivendo sob um afluxo de estímulos intensos, e que nos desequilibram, estes estímulos podem ser de fontes externas como a poluição sonora, ou internos como as aflições, angústias e preocupações.

Tipos de meditação.

Existem vários tipos de meditação, algumas voltadas a praticas espirituais e outras que visam a melhoria da saúde, do bem-estar pessoal e o desenvolvimento da atenção. Nosso trabalho está voltado para as técnicas desvinculadas de religiosidade e espiritualidade e podem ser praticadas por pessoas de qualquer crença e idade.

São técnicas que desenvolvem o controle do pensamento e das emoções, além de ser um facilitador para o autoconhecimento.

Em um nível básico, ela pode ajudar a prevenir e tratar sua o estresse, a distração e hiperatividade cotidiana. O praticante se da conta de sua intensa atividade mental, do cansaço e distração que ela provoca. O treinamento o leva a perceber, se desidentificar com estes aspectos e acalmar a mente.

No nível intermediário ele consegue manter a atenção nas atividades da vida diária com maior naturalidade e serenidade. Sua percepção e autocontrole bem desenvolvidos percebem a atividade mental e ela pode ser corrigida. É como quando procuramos sintonizar uma rádio; no estágio inicial a mente muda de estação boa parte do tempo e nos esforçamos para sintonizá-la novamente, no estágio intermediário ficamos grande parte do tempo em sintonia sem grande esforço, mas ainda percebemos que existem ruídos, chiados, mas nossa atenção está voltada para nosso objeto e notamos mais facilmente as distrações.

No último estágio alcançamos uma completa serenidade. A estação está lá, sintonizada e mantida. Este estágio avançado permite que o praticante se torne uma pessoa imperturbável, pois seus pensamentos e emoções são percebidos sem que ele se identifique ou se apegue a eles. A imagem para designar este estado é a de um céu que percebe as nuvens passando sob ele, mas o céu não é atingido por elas.

Este desenvolvimento pode ser alcançado desde que o praticante tenha interesse e se dedique diariamente ao treinamento. Como em qualquer coisa que façamos, um treinamento físico, um curso ou uma dieta é preciso empenho diário e os resultados são proporcionais à dedicação.

A maioria dos tipos de meditação têm quatro elementos comuns:

Um ambiente tranquilo:

Meditação é geralmente praticada em um lugar calmo com tão poucas distrações possível. Isto pode ser particularmente útil para os iniciantes, entretanto, ela pode ser praticada mesmo em lugares agitados.

Postura específica e confortável:

Dependendo do tipo a ser praticada, a meditação pode ser feita enquanto se está sentado, deitado, em pé, caminhando, ou em outras posições.

Um foco de atenção:

Focar a atenção é geralmente uma parte da meditação. Por exemplo, o praticante pode se concentrar em uma visualização, um objeto, ou as sensações da respiração. Algumas formas de meditação envolvem prestar atenção a tudo o que é o conteúdo da consciência dominante.

Uma atitude aberta.

Ter uma atitude aberta durante a meditação significa deixar os pensamentos irem e virem, naturalmente, sem julgá-los.

Alterações corporais.

Nosso corpo tem grande capacidade de se regenerar. Observamos isto quando nos machucamos e em poucos dias o ferimento está cicatrizado. Quando tranquilizamos a mente, eliminado os venenos ou nosso lixo mental, o corpo reage positivamente aumentando nossa energia que é utilizada para nossa cura.

Indicações:

A meditação é indicada para vários problemas de saúde, tais como:

Ansiedade

Dor

Depressão

Estresse

Insônia

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Impulsividade/agressividade

Hipertensão arterial

Adicções

Obesidade

Autoconhecimento.

Aumento da autoestima

Aumento da confiança pessoal

Bem-estar geral.


Meditação e autoconhecimento.


Um grande avanço para a prática do autoconhecimento nos é fornecido pela meditação quando usamos um método denominado “organizar a mente em seu estado natural”, onde o praticante direciona sua atenção para as suas experiências mentais, todos os eventos, pensamentos, imagens mentais, e emoções que surgem no domínio da mente, com uma atitude de aceitação e investigação.

Estar atento aos sentimentos, emoções e às sensações corporais de maneira não-julgadora e amistosa,favorece o contato com os conteúdos internos sem o sentimento de medo e censura. Alem disto uma postura de não identificação com o Ego favorece a flexibilidade da personalidade e nos ajuda a reconhecer os aspectos mutáveis de nossos padrões de comportamento, crenças e valores internos incorporados à nossa subjetividade. É importante ressaltar que há casos, com estruturas muito rígidas de personalidade, onde a intervenção psicanalítica é fundamental.

Estarmos conscientes de nossas expectativas, medos, aversões, ideias pré-concebidas, padrões de comportamento repetitivos e disfuncionais ajuda-nos a ter um relacionamento consciente conosco mesmo e com os outros. Ao saber de nossas motivações pré-conscientes podemos dirigir melhor nossas ações, aumentamos nossa objetividade e economizamos energia.


Dificuldades para executar a prática.


Muitas pessoas encontram grande dificuldade em manterem-se quietas e se interiorizar. Esta dificuldade é proporcional ao seu grau de agitação mental, mas com empenho esta dificuldade logo é ultrapassada e os resultados rápidos estimulam a prática.


Efeitos colaterais e riscos.


A meditação é considerada segura para pessoas saudáveis. Tem havido raros relatos de que a meditação pode causar ou agravar sintomas em pessoas que têm determinados problemas psiquiátricos, mas esta questão não foi totalmente pesquisada. Pessoas com limitações físicas podem não ser capazes de participar de certas práticas meditativas que envolvem movimento físico, mas são totalmente habilitadas a praticar a meditação em posição sentada ou deitada.



Pesquisas científicas.


Os efeitos da meditação sobre a saúde têm sido amplamente pesquisados nos meios científicos. Nos sites do PubMed e no Science Direct, principais referências em pesquisas acadêmicas, encontramos centenas de trabalhos científicos sobre o tema.

Algumas pesquisas mostram que:

20% das mulheres grávidas sofrem de depressão e estresse. Mulheres com altos níveis de estresse tem menor probabilidade de engravidar. A prática meditativa contribui para a mudança deste estado de humor.

Há indicações que a meditação reduz a produção dos hormônios adrenalina e cortisol associados ao estresse.

A prática de 20 minutos de meditação por um meditador experiente reduz em 17% a taxa de metabolismo contra 7% proporcionados por 8 horas de sono para uma pessoa que não a pratica.

Praticar a meditação “Atenção Plena” parece estar associada a mudanças mensuráveis ​​nas regiões do cérebro envolvidas na memória, aprendizado e emoção.

Imagens de ressonância magnética do cérebro revelaram um aumento da concentração de massa cinzenta no hipocampo esquerdo. O hipocampo é uma área do cérebro envolvida na aprendizagem, memória e controle emocional.

Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA apontou que

9,4 % da população haviam praticado meditação,

Determinadas práticas de meditação podem alterar os padrões eletroencefalográficos, que se mantém mesmo fora dos períodos de prática.

Práticas de meditação estimulam a conectividade do córtex cerebral o que explica o fato da meditação melhorar as funções cognitivas, a criatividade e a modulação da atenção. Atuando sobre o estado emocional é capaz de causar alterações positivas do humor.

As evidências dos efeitos das práticas observadas em estudos de neuroimagem estrutural e funcional mostram que estruturas como o hipocampo e a substância cinzenta apresentam modificações anatômicas sendo estimuladas por práticas meditativas

Estima-se que haja atualmente mais de cem milhões de praticantes espalhados pelo mundo.

Existem razões práticas bem contundentes para o investimento em práticas meditativas: aqueles que praticaram meditação duas vezes por dia durante quatro anos apresentam redução de 76% na taxa de hospitalização e de consultas médicas, e de 87% de doenças associadas ao sistema nervoso, nos que praticaram durante cinco anos.

No Brasil, o plano de política nacional de práticas integrativas e complementares do SUS, apoiado pela Organização Mundial da Saúde, oficializou a implantação da meditação (ou práticas mentais) como método complementar para a melhoria da qualidade de vida dos usuários do Sistema e, atualmente são oferecidas práticas de meditação em alguns hospitais e postos de saúde, além do incentivo para a implantação de projetos em parceria com as secretarias de educação de alguns estados para a aplicação das práticas nas redes públicas de ensino.


Alan Wallace, um dos maiores pesquisadores sobre meditação:





Nosso trabalho:


Reúne o ensino de técnicas de meditação em conjunto com uma abordagem psicoterapêutica.

Destina-se àqueles que desejam iniciar-se ou aprofundar-se no autoconhecimento e controle emocional, assim como para a formação de facilitadores na aplicação das técnicas meditativas. Utilizamos um método testado em pesquisas realizadas em várias instituições de pesquisa internacionais.

Trata-se de um processo gradual onde as etapas de relaxamento e meditação são aplicadas de forma gradual, levando à fases mais avançadas e sutis de autocontrole e autoconhecimento.

Os participantes serão avaliados em seus níveis de estresse e/ou depressão por meio de questionários desenvolvidos especialmente para esta finalidade antes e depois do aprendizado.


Metodologia:


. Oito encontros com conteúdo teórico e prático.

. Os participantes devem comparecer com roupas confortáveis e tênis.

. Após o inicio dos encontros não serão admitidas pessoas atrasadas.

. Os participantes que desejarem poderão solicitar encontros individuais.


Conteúdo:


. O que é meditação. Para que meditar;

. Essência da Meditação;

. Meditação e Presença;

. Respiração e Meditação;

. Relaxamento e Meditação;

. Relaxamento Profundo.

. Posturas básicas para meditação (interna e externa);

. Atividades preparatórias que ajudam na meditação;

. Crenças, opiniões e fatos;

. Como funciona a mente;

. Concentração, atenção e relaxamento;

. Técnicas de meditação passiva e ativa;

. Técnicas de meditação com os olhos abertos e fechados;

. Atenção focada

. Atenção Plena ou mindfulness;

. Meditação no cotidiano.


Numero de participantes:


. Treinamento individual ou em grupos.


Horário:


. Os encontros serão realizados em data e horário a combinar.


Local:


Na empresa, escola ou instituição, ou em nosso consultório:

.Rua João Moura, 464, conj. 5, telefone 3384.4014



Contato:


rubensm@usp.br



Profissional responsável:

Rubens de Aguiar Maciel

Psicanalista

Especialista em Desenvolvimento Humano

Doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP

Colaborador no Serviço de Promoção de Saúde do HCFMUSP

Instrutor de Técnicas Meditativas no Centro de Saúde Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública da USP

Professor universitário

Palestrante

Parecerista da Revista Saúde e Sociedade.